São dados. Estatísticas. São números e gráficos que mostram...
Mas na realidade mesmo? Eu nunca fui muito de acompanhar as tendências do mercado de trabalho, só quando eu me sinto correndo atrás do meu próprio rabo, em casos como estar desempregada há quatro meses. Aí, eu presto atenção a esses detalhes.
Na verdade, existe muita competição. Existe um número gigante de pessoas querendo ser estilistas, o que nos idos de 1996, não existia. Acabei me formando em um curso técnico de moda, que durou dois anos, achando que não haveria muita competição no mercado. Fui por outros caminhos, o de cinema e tv, trabalhando com figurino.
Agora, vejo que, o caminho que insisto e que escolhi, é sempre o mais instável.
Ser estilista no Rio de Janeiro é voltar mais de uma vez, num período espaçado à mesma marca para entrevistas. É correr em círculos. É ver que não há muita renovação no que diz respeito à mão de obra, e quando há, ela é descartável. Os profissionais do meio ficam a ver navios nas entressafras das coleções. É preciso vender, e MUITO bem, para que a marca possa ousar em contratar um profissional com mais experiência e diferencial. O risco é sempre mínimo. Arriscar é perigoso para esses comerciantes. Muito. Tão perigoso que muitas vezes ficam perturbados com novas idéias, e hesitam muito antes de dar seu aval às mudanças propostas.
Por isso, meus colegas de trabalho, resolvi continuar buscando uma posição, mas dar mais energia ao que sempre quis (já experimentei) e agora tenho certeza ser o melhor caminho para mim. Empreender.
Ninguém nos ensina como ter força de vontade, acordar todos os dias e perseverar num sonho. No início as idéias são geniais, a gente quer botar tudo pra funcionar...Mas a realidade nos dá um tapa na cara todos os dias. É preciso disciplina, um tanto de rebeldia e ser um sonhador que mantém um dos pés sempre no chão.
Eu resolvi voltar a olhar com carinho aos conselhos dos amigos e profissionais que trabalharam comigo e sempre me disseram " mas por que você não começa seu próprio negócio?"
Eu respondia sempre que não fazia o perfil empreendedor e não saberia nem como começar, além do que precisava ter uma "segurança" maior, tendo um emprego fixo e assinado, nos conformes.
Ledo engano.
O mercado é tão volúvel e tão suscetível às mudanças econômicas que eu decidi que estar dentro dele, contratada, exigiria de mim um extremo grau de paciência e aceitar vagas das quais eu já não almejava, pela experiência que adquiri. Seria sempre "quase", passei 16 anos da minha vida profissional sendo assistente. Coloquei muita energia nisso, e acredito que na maioria das vezes não decepcionei.
Ora, se auxiliei tanta gente no ofício e aprendi tanto com isso, por que não ser minha própria super assistente e investir em mim?
Por isso, digo mais para mim, do que para você: Agora vai!
Que a força esteja comigo.
Estou perto de anunciar o que será o primeiro passo de um longo caminho de dedicação e disciplina, por isso, não saia daí (ainda).
Beijos aos amigos e meus fiéis torcedores, que conhecem o drama e a glória do meu caminho até aqui.
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